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Por que ainda é tão difícil falar sobre sexo?

Por que ainda é tão difícil falar sobre sexo?

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Josiane Machetto Tavares

Por que ainda é tão difícil falar sobre sexo? O impacto dos tabus na nossa sexualidade

Falar sobre sexualidade ainda é, para muitas pessoas, um território desconfortável.

Mesmo sendo algo presente na vida da maioria dos adultos, algo que atravessa relações, identidade, corpo e emoções, o tema ainda costuma ser cercado por silêncio, constrangimento e, muitas vezes, vergonha.

Isso não acontece por acaso.

Ao longo da vida, aprendemos que existem regras sobre como, quando e com quem podemos falar sobre sexo. Existem assuntos que podem ser mencionados, outros que devem ser evitados, e alguns que simplesmente não se falam.

Essas regras, muitas vezes implícitas, são o que chamamos de tabus.

Os tabus são construções sociais e culturais que determinam limites sobre determinados temas. No caso da sexualidade, eles aparecem como proibições, restrições e códigos silenciosos que organizam o que é considerado adequado ou inadequado.

E isso varia de acordo com o contexto. Com algumas amigas, talvez exista mais abertura. Dentro da família, o assunto pode ser evitado. Na relação amorosa, muitas vezes ele aparece com tensão ou dificuldade. Isso mostra que não é apenas o tema em si que importa, mas o ambiente em que ele está inserido.

E, quando olhamos com mais profundidade, percebemos que essa relação com a sexualidade começa muito antes da vida adulta. Ela começa na forma como aprendemos sobre sexo.

Na sua família de origem, existia espaço para falar sobre sexualidade?

Era um assunto que podia ser abordado com naturalidade?

Ou aparecia apenas em forma de alerta, proibição ou silêncio?

Pare um momento para pensar.

Como você aprendeu sobre sexo?

Foi através de conversas abertas?

Foi em um contexto de medo ou culpa?

Foi associado a algo errado, feio ou proibido?

Ou simplesmente não era falado?

Essas experiências iniciais moldam profundamente a forma como cada pessoa se relaciona com a própria sexualidade. Porque, quando algo é aprendido como inadequado, vergonhoso ou proibido, ele não deixa de existir. Ele apenas deixa de ser falado. E isso cria uma contradição importante.

A maioria dos adultos tem vida sexual ativa. Mas não consegue falar sobre isso.

Como lidar com algo que faz parte da sua vida, mas que você aprendeu a esconder?

Como construir intimidade em um tema que foi marcado pelo silêncio?

Essa dificuldade de nomear, de perguntar, de expressar desejos ou limites não é apenas individual. Ela é construída. E, muitas vezes, sustentada por crenças que vão se consolidando ao longo do tempo. Ideias sobre o que é “normal”, sobre o que é esperado, sobre como o outro deve agir ou sobre como o próprio corpo deve responder. Essas crenças, quando não são questionadas, podem se transformar em mitos.

Mitos sobre desempenho, sobre desejo, sobre frequência, sobre papéis dentro da relação.

E esses mitos, por sua vez, aumentam a chance de frustração, insegurança e sofrimento. Porque a pessoa passa a tentar corresponder a algo que, muitas vezes, não faz sentido para ela.

Outro ponto importante é que, na ausência de informação clara e baseada em ciência, muitas pessoas acabam aprendendo sobre sexualidade de forma aleatória.

A pornografia, por exemplo, tem se tornado uma das principais fontes de “educação sexual” para muitos adultos.

Mas ela apresenta uma visão distorcida da sexualidade, centrada em performance, roteiro e expectativas irreais.

Quando essa é a principal referência, aumenta a probabilidade de desenvolver uma relação desconectada da própria experiência, o que pode levar a dificuldades, insatisfação e até disfunções sexuais.

Mesmo assim, muitas pessoas continuam evitando falar sobre o tema.

Adiam conversas importantes com o parceiro.

Evitam buscar ajuda profissional.

Tentam resolver sozinhas.

E, muitas vezes, só procuram um profissional quando o sofrimento já está mais intenso.

Isso reforça o quanto a sexualidade, apesar de central na vida humana, ainda é tratada como um assunto secundário ou até proibido.

Mas não deveria ser assim.

A sexualidade faz parte da saúde.

Da saúde emocional, relacional e física.

E poder falar sobre ela, compreender, questionar e buscar ajuda quando necessário é parte fundamental desse cuidado.

Talvez o primeiro passo não seja mudar imediatamente a forma como você vive sua sexualidade.

Mas começar a observar.

Quais são as regras que você aprendeu sobre esse tema?

O que pode ser falado e o que não pode?

O que ainda causa desconforto?

E, principalmente, de onde isso vem?

Porque, quando esses tabus começam a ser reconhecidos, eles deixam de ser invisíveis.

E é a partir daí que a mudança se torna possível.

Se você sente dificuldade de falar sobre sexualidade, de entender sua própria relação com esse tema ou de se comunicar dentro do seu relacionamento, a terapia pode ser um espaço seguro para construir esse processo de forma mais consciente e saudável.

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